1 de dez. de 2025

Monitoramento digital e o caso Itaú: limites legais para empresas à luz da LGPD

Monitoramento digital e o caso Itaú: limites legais para empresas à luz da LGPD

Monitoramento digital e o caso Itaú: limites legais para empresas à luz da LGPD

O caso Itaú levantou dúvidas sobre vigilância no trabalho. Entenda os limites da LGPD para o monitoramento digital e como proteger sua empresa com ética e compliance.

Recentemente, o mercado foi impactado pela notícia de que o Itaú desligou cerca de mil colaboradores após identificar padrões de “inatividade” em seus sistemas. O caso trouxe à tona uma discussão que vai muito além das questões trabalhistas: afinal, como a tecnologia de monitoramento deve ser usada pelas empresas sem ferir a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e a privacidade dos colaboradores?

Para gestores e empresários, a dúvida é válida e urgente. A tecnologia permite medir produtividade, mas o uso indiscriminado de dados pode gerar riscos jurídicos e reputacionais graves.

Neste artigo, explicamos com clareza os limites legais do monitoramento digital e como sua empresa pode manter o compliance e a segurança jurídica.

1. Monitorar é permitido, mas com regras claras

A resposta curta é: sim, as empresas podem monitorar o trabalho, inclusive em regime de home office. O poder diretivo do empregador permite o controle da jornada e da produtividade.

No entanto, a LGPD impõe limites claros. O monitoramento não pode ser uma vigilância irrestrita. Ele deve obedecer a princípios fundamentais, como a necessidade, a finalidade e, principalmente, a transparência.

Isso significa que o colaborador precisa saber:

a) Que está sendo monitorado;

b) Como os dados são coletados;

c) Para qual finalidade essas informações serão usadas.

Se a sua empresa utiliza softwares de gestão, essa coleta de dados deve estar explícita nas políticas internas e nos contratos de trabalho. A surpresa é inimiga da conformidade.

2. O erro estratégico: vigilância vs. produtividade

O ponto sensível do debate atual está na métrica utilizada. Softwares que analisam apenas a movimentação do mouse ou o uso do teclado podem gerar uma visão distorcida da realidade. Muitas funções exigem leitura, análise, chamadas telefônicas ou planejamento estratégico - atividades que não necessariamente envolvem cliques constantes na tela.

Além disso, o uso de ferramentas invasivas, como captura de tela em tempo real, gravação de áudio ambiente ou monitoramento de máquinas pessoais, pode ferir direitos fundamentais de privacidade.

Pela ótica da Governança de Dados, coletar informações em excesso ou desnecessárias viola o princípio da minimização da LGPD. Ou seja: a empresa só deve coletar o dado estritamente necessário para atingir o objetivo proposto. Monitorar além do horário de trabalho ou invadir a esfera privada do computador pessoal do colaborador são práticas que geram alto risco de passivo jurídico.

3. Como garantir segurança jurídica e compliance digital

A tecnologia deve ser uma aliada da gestão, não uma ferramenta de vigilância excessiva. Para empresas que buscam modernidade e segurança, recomendamos três passos essenciais:

a) Transparência ativa: Revise suas políticas de privacidade e garanta que todos os colaboradores saibam quais ferramentas de monitoramento são utilizadas e por quê.

b) Separação de equipamentos: Sempre que possível, forneça equipamentos corporativos para o trabalho remoto. Instalar softwares de controle em computadores pessoais mistura dados privados e corporativos, criando uma zona cinzenta perigosa para a LGPD.

c) Proporcionalidade: Avalie se a ferramenta de monitoramento é proporcional ao objetivo. Se você quer medir entregas, talvez não precise monitorar cada clique do mouse.

4. Tecnologia com responsabilidade

Monitorar não é vigiar. A produtividade real se mede com clareza de metas, respeito e limites bem definidos.

O caso recente serve como um alerta para o mercado: a transformação digital das empresas precisa vir acompanhada de maturidade jurídica. Processos bem desenhados protegem a empresa, retém talentos e evitam crises de imagem.

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